Pelo menos 35 pessoas foram evacuadas nos últimos oito anos para tratamento no por doenças cardíacas

Pelo menos 35 pessoas foram evacuadas nos últimos oito anos para tratamento no por doenças cardíacas

Vitrina, 19.01.2026 – A direção do Hospital e o Ministério da saúde, com o patrocínio da representação da Organização Mundial da Saúde (OMS) em São Tomé e Príncipe iniciaram esta segunda-feira, com a duração de uma semana, um rastreio sobre a cardiopatia reumática, doença que afeta o coração. O rastreio, nesta primeira fase, pretende abranger pelo menos duas mil crianças em duas escolas básicas piloto de Pantufo e Praia Gamboa, localidades situadas respetivamente nos Distritos de Mé Zóchi e Lobata.

A cardiologista Miriam Cassandra que vai orientar esta semana de rastreio sobre a doença revelou que nos últimos oito anos foram evacuados 35 pacientes para cirurgia estrangeiro. Além dos pacientes evacuados para cirurgia e tratamento em Portugal, muitos acabaram por falecer, o que torna o número de vítimas da cardiopatia reumática ainda muito mais elevado.

A médica garantiu que o rastreio terá como público-alvo alunos da faixa etária dos cinco a 15 anos de idade, das escolas básicas do país, começando na escola de Pantufo, periferia da capital.

“Vamos falar com alunos, professores e a própria comunidade, para levá-los o conhecimento sobre a gravidade da doença e o que precisa ser feito para prevenir esta doença. Serão efetuados exames (ecografias) para se detetar sinais de uma cardiopatia reumática na sua fase inicial”, disse a cardiologista Miriam Cassandra.

Miriam Cassandra manifestou-se preocupada com a evolução do número de casos de doenças cardíacas no país e entende ser altura de partir para a fase de diagnóstico da situação e tomar medidas de prevenção.

“Há dez anos quando conclui a minha especialidade e regressei ao país eu reparei que as doenças que mais acometiam as crianças e os jovens que chegavam ao hospital para consulta, era a cardiopatia reumática, e muitas dessas pessoas chegavam numa fase já avançada da doença. Os corações já se encontravam numa fase complicada e era necessária cirurgia”, explicou.

Admite, contudo, que o número de pacientes com problemas cardíacos em São Tomé e Príncipe “não está a crescer, mas também não está a diminuir”.

“Muitos pacientes andam aí perdidos e não sabem que têm essa patologia, por isso muitas vezes quando recorrem ao hospital, estão já na fase terminal da doença”, disse Miriam Cassandra, defendendo, por isso a “desse rastreio para identificar e saber qual é a prevalência da doença no país”.

A médica considera que a doença é “alarmante#, justificando que “ter uma criança de seis anos diagnosticada com sintomas de insuficiência cardíaca que lhe incapacita de ir à escola, de fazer a sua vida normal, como brincar e depois ter muita falta de ar e ficar muito tempo internada, retira a qualidade de vida, diminui os anos de vida”.

“É uma doença que é muito sintomática com quadros de dor e muito cansaço, mas é uma doença que se pode prevenir, por isso nós devemos fazer alguma coisa para mudar esse paradigma”, concluiu.

M. Barros

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