Vitrina, 09.01.2026 – Abenildo de Oliveira, vice-presidente da Assembleia Nacional, figura chave do maior partido político são-tomense, Ação Democrática Independente, ADI, anunciou esta semana que pediu afastamento do cargo e se renunciou a bancada do seu partido, passando para independente. A noticio que começou a circular quinta-feira à tarde nas redes sociais, foi, contudo, confirmada ao Vitrina por uma fonte do partido, cujo presidente, Patrice Trovoada disse, “já está informado da decisão”.
Nos últimos tempos, o nome de Abenildo de Oliveira estava envolvido numa alegada liderança do que era conhecido pelo “grupo dos 16” deputados do ADI que se insurgiram contra a liderança de Patrice Trovoada e se colocaram ao lado de Américo Ramos, primeiro-ministro e de Carlos Vila Nova, Presidente da República, ambos responsáveis oriundos da fileira desta mesma formação política.
Meses depois, o jovem quadro do ADI apareceu numa fotografia, num hotel em Lisboa, ao lado de Patrice Trovoada, juntamente com outras figuras de proa do ADI, uma imagem que foi interpretada como de reconciliação com o líder.
Desde essa altura, o vice-presidente da Assembleia Nacional, passou a adotar uma postura pouco comunicativa, mesmo em sessões parlamentares onde, ainda durante o governo de Patrice Trovoada propôs a aprovação de uma resolução parlamentar para diminuir viagens dos dirigentes, numa indireta implícita ao chefe do governo de então.
No último Conselho Nacional do ADI realizado no mês passado, Abenildo de Oliveira foi oficializado como um dos dois pré-candidatos a liderança do maior partido político são-tomense, no congresso extraordinário marcada para o próximo dia 04 de abril. O congresso propõe eleger um substituto de Patrice Trovoada a frente do partido e um candidato único as eleições presidenciais marcadas para este ano.
Ainda não é conhecido os motivos que levaram Abenildo de Oliveira a se afastar do partido e do cargo que ocupa no parlamento, quando faltam poucos meses para o fim dessa legislatura. Mas observadores políticos acreditam que esta dissidência vem acentuar a crise no seio do ADI.
A Assembleia Nacional agendou para meados deste mês a discussão e eventual aprovação do Orçamento Geral do Estado, OGE. Numa altura em que no seio do ADI faltam consensos, marcados pelo distanciamento cada vez mais acentuado do ADI 1 as ações do atual governo, observadores acreditam que pelo menos metade da bancada deste partido venha a votar contra o diploma.
F. Neto