FMI prolonga por mais 12 meses o programa de ajustamento financeiro com São Tomé e Príncipe
Vitrina, 22.12.2025 - O Fundo Monetário Internacional, FMI, aprovou o prolongamento, por mais um ano, do seu programa de ajustamento financeiro com São Tomé e Príncipe. Trata-se da segunda revisão deste programa que contemplava inicialmente um pacote total de 25,3 milhões de dólares, que será agora revisto para chegar a mais de 30 milhões de dólares.
Com esta segunda revisão, o FMI desembolsa 2,9 milhões de dólares e garante ao país mais 6,1 milhões de dólares.
Em comunicado divulgado no dia 20 deste mês, que o Vitrina teve acesso, o FMI indica que o seu Conselho Executivo concluiu a segunda revisão ao abrigo do acordo de Facilidade de Crédito Alargado (EFC) para São Tomé e Príncipe que permitiu esse desembolso imediato de 2,9 milhões de dólares. Este montante eleva o total de desembolso para 13,7 milhões de USD.
Neste comunicado, o FMI anuncia igualmente que “as autoridades solicitaram uma prorrogação de 12 meses do acordo ECF juntamente com um aumento de 6,1 milhões de dólares”, o que eleva o total para 155% da “quota combinado com um caminho mais gradual e menos concentrado no início para o ajustamento orçamental”.
O programa de ajustamento financeiro aprovado em dezembro de 2024 contemplava um pacote total de 25,3 milhões de dólares, que será agora revisto para chegar a mais de 30 milhões de dólares, prolongando-se até meados de 2028.
Exposição a riscos climáticos, instituições frágeis, exportações limitadas, perdas de mão de obra devido a emigração contam-se, de acordo com o FMI, entre os desafios estruturais do país que “impedem um crescimento inclusivo, rico em empregos e sustentável”.
O comunicado do FMI revela que o arquipélago “enfrenta uma demografia desfavorável, choques no abastecimento de eletricidade e atraso na transição energética”. Por causa disso, essa instituição financeira revê o crescimento do PIB em baixa, de 2,9% para 2,1% este ano, sendo que a inflação pode diminuir a um ritmo mais lento. FMI alerta que se prevê “um défice adicional na balança de pagamentos”.
Considera, no entanto, que não obstante as dificuldades, o desempenho do arquipélago tem sido “amplamente satisfatório”, com o país a conseguir quatro dos seis critérios de desempenho quantitativo e que no plano estrutural, cinco dos 15 parâmetros de referência avaliados foram cumpridos, três foram convertidos em ações prévias e um foi implementado com atraso.
O diretor executivo adjunto do FMI garante no comunicado que “apesar destes desafios as perspetivas de médio prazo continuam a ser amplamente positivas, desde que as reformas do setor energético sejam implementadas de forma firme e apoiados por um envolvimento sustentado dos doadores para avançar com a transição energética e reestruturar a empresa de serviços públicos”.
M. Barros