IMAP reconhece falta de transparência nos registos internacional de embarcações e afasta responsabilidade
O Estado são-tomense parece ter perdido o controlo dos registos internacional de navios com pavilhão são-tomense, a depreender das declarações da diretora de Registo e Certificação do Instituto MarÃtimo e Portuário, IMAP.
Nas últimas semanas o paÃs tem sido confrontado com notÃcias sobre a existência de vários navios com pavilhão são-tomense, envolvidos em tráfico de drogas, carregamento ilegal de armas e envolvimento em conflitos, incluindo militar (Vitrina, 07. 09. 2025).
Paloma Santos que é diretora de registo e certificação de navios sacudiu a água da capota do IMAP, reconhece que há falta de transparência nestes registos e atirou a responsabilidade para as costas do governo, a quem pede maior controlo sobre os registos destas embarcações que, segundo ela, são feitas por uma empresa privada, com base num contrato assinado desde 2001, com as autoridades nacionais.
“Este não é um tema que esteja ligado única e exclusivamente ao IMAP. É preciso entender que o IMAP representa o Estado São-tomense diante das questões marÃtimas, o estado precisa se apropriar e entender o que é isto de registo internacional,
precisa se organizar em termos das diferentes entidades, depois tentar tomar procedimentos transparentesâ€, disse Paloma Santos.E acrescentou: “é preciso que haja transparência neste domÃnio, entre o IMAP e a ISTRA (Empresa que faz o registo internacional dos navios com base num contrato assinado com as autoridades) e estabelecer aquilo que está no contrato assinadoâ€, defendeu esta responsável.
Na primeira semana deste mês, o comentador português da guerra entre Rússia e a Ucrânia, o general Agostinho Costa disse que atualmente existem “mais de 100 navios no mundo, circulando com pavilhão são-tomense, que o paÃs não conhece e nem tem controloâ€. Um desses navios transportava armas de guerra e teria sido atacado em Odessa, uma zona de guerra entre a Ucrânia e Rússia, no princÃpio deste mês.
A diretora de Registo e Certificação do Instituto MarÃtimo Portuário defende que o governo deve se sentar com os representantes desta empresa e analisar os termos do contrato que já tem 24 anos de existência.
“É preciso pegar nesse contrato, olhar para ele, ver em que matéria beneficia o paÃs ou não, portanto, é preciso fazer esse exercÃcioâ€, defendeu Paloma Santos. .A polémica sobre a atribuição de forma menos transparente e responsável de patentes a navios estrangeiros se arrasta há mais de 20 anos em São Tomé e PrÃncipe, sem que nenhum governo seja capaz de tomar uma atitude que possa regulamentar ou mesmo travar esse negócio.
“O registo internacional em São Tomé e PrÃncipe tem sido muito falado, mas com muita contrainformação, muita especulação e nós entendemos que urge começarmos a refletir sobre este temaâ€, reconheceu Paloma Santos.Sublinha que o registo internacional de navios “é uma temática importante, São Tomé e PrÃncipe assumiu o compromisso com uma entidade privada e foi assinado um acordo desde 2001 que tem estabelecido o registo aberto†de embarcações com pavilhão do paÃs.
Defendeu também que o paÃs precisa se “organizar enquanto Estadoâ€, reunir todas as entidades públicas que “lidam com este tema para que estejam envolvidas diretamente, para que haja uma organização e uma coordenação entre elasâ€.Para essa responsável, esse “poderia ser o primeiro passo a darmos relativamente a esta temáticaâ€.Na última sexta-feira o Instituto MarÃtimo e Portuário, IMAP celebrou o Dia Internacional do Mar com a realização de uma palestra cujo tema foi “Nosso oceano, nossa obrigação, nossa oportunidadeâ€.
O registo no paÃs de dezenas de navios estrangeiros marcou o momento de profunda reflexão neste evento que contou com a presença de parceiros internacionais, autoridades governamentais e representantes dos setores nacionais que lidam com atividades marÃtimas.
M. Barro