Vitrina, 20.09.2026 – Cerca de 130 mil eleitores vão às urnas no domingo, dia 27 deste
mês, em São Tomé e Príncipe e na diáspora, para votarem nas eleições legislativas,
autarquicas e do governo da Região Autonoma do Príncipe, disputadas por dez
formações politicas (quatro das quais na ilha do Príncipe) e uma coligação de três
partidos, que disputam, por sua vez, 55 assentos na Assembleia Nacional (parlamento),
seis camaras distritais e assentos no parlamento da Região Autónoma do Príncipe.
No conjunto dos partidos que concorrem aos escrutineos, alguns se destacam. Têm um
histório de assentos no parlamento, e outros prometem lutar para formar bancada ou
pelo menos conseguir alguma representação no parlamento.
O MLSTP, o ADI, a coligação MCI/PS/PUN tiveram bancadas parlamentares nesta
legislatura que termina no próximo mês, enquanto o Movimento Basta conseguiu uma
representação de dois deputados eleitos. Na ilha do Principe, onde quatro formações
politicas dusputam o governo regional, o parlamento de nove membos é dominado
pela União para Mudança e Progresso do Príncipe (UMPP) com seis deputados e
outros tres do MVDP. O partido no poder na ilha do Príncipe, a UMPP, disputa o quarto
mandato, com Filipe Nacimento à cabeça. Parece enraizado na ilha, sem concorrentes
à altura, apesar de todo o esforço que o Movimento Verde para o Desenvolvimento do
Príncipe (MVDP), de Nestor Umbelina tem feito para o destronar do poder.
Nesta disputa eleitoral surgem mais duas novas formações políticas que concorrem
para o pleito: Movimento Todos Somos Príncipe e a Voz do Príncipe.
Outros partidos que não tiveram assento no presente parlamento, têm duas
oportunidades. A primeira, é lutar para conseguir eleger deputados, ou, no mnimo,
manter uma percentagem de votos que os permitem manterem a sua existência como
partido politico´na cena politica nacional.
Caso contrário, e de acordo com a Lei dos Partidos Politicos, poderão ser extintos pelo
Tribunal Constitucional. No passado já aconteceu. Vários partidos foram extintos da
cena politica são-tomense, tais como a Coligação Democrática de Oposição (CODO),
liderado por Neves e Silva, Frente Democratica Cristã (FDC), liderado pelo malogrado
Sabino Santos, Uê Quedaji, cujo lider era Paixão Lima, bem como o Partido Trabalhista
(PTS) de Anacleto Rolim. Além destes, existem pelo menos mais três outros que
tassitamente deixaram de existir e entre eles está incluido o PEPSI de Rafael Branco.
As campanhas eleitorais iniciaram a 12 deste mês, terminam na sexta feira 25, dois
antes da ida as urnas.
O Tribunal Constitucional (TC) publicou as listas oficiais dos partidos que concorrem a
estas eleições: Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe (MLSTP), liderado por
Américo Barros, Ação Democrática Independente (ADI) que tem novo lider, Américo
Ramos, sucessor de Patrice Trovoada em congresso polémico validado pelo Tribunal
Constitucional; Movimento dos Cidadãos Independentes, que concorre numa coligação
(MCI/PS/PUN), Movimento BASTA, MDFM, PCD e Nossa Terra.
A participação da coligação MCI/PS/PUN nestas eleições foi limitada, pelo TC, apenas a
três distritos, nomeadamente o Caué (onde nasceu), Água Grande e Região Autónoma
do Príncipe. O tribunal justificou essa limitação com o fato desta coligação ter inscrito,
nas suas listas de deputados, candidatos a deputados com “assinaturas falsas”.
Outros quatro partidos anunciaram que foram impedidos de participar no processo,
nomeadamente o MIE-STP, Humbah Aguiar, Partido da Sustentabilidade, Inclusão e
Mudança (SIM), Partido Liberal Cristão (FS/PLC) e Partido Força do Povo de São Tomé e
Príncipe (PFP-STP).
De acordo com observadores políticos em São Tomé, a primeira semana de campanha
já deu para se concluir que estas eleições entre os dois principais partidos sendo o ADI,
de Américo Ramos que governa o país como primeiro ministro há dois anos, depois da
demissão de Patrice Trovoada e o chamado “partido histórico”, fundador da nação, o
MLSTP de Americo Barros.
Há mesmo quem ousa dizer que a eleições de 27 de setembro serão disputadas nas
urnas pelos dois Américos: Ramos e Barros.
ADI diz que quer continuar a governar o país para melhorar o setor energético e as
condições de vida dos são-tomenses. O MLSTP defende que tem bons projetos para o
país que passam pela melhoria de infraestruturas como o aeroporto e setores sociais
como o hospital, aumento da pensao social e legalização dos motoqueiros. Mas ja
vaticinam que uma maioria absoluta está fora de questão.
M. Barros